quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O vendedor de palavras
Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical". Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.

Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: uma mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico — apenas R$ 0,50!".

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinqüenta curiosos parasse e perguntasse.

— O que o senhor está vendendo?

— Palavras, meu senhor. A promoção do dia é histriônico a cinqüenta centavos como diz a placa.

— O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.

— O senhor sabe o significado de histriônico?

— Não.

— Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já têm ou coisas de que elas não precisem.

— Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.

— O senhor tem dicionário em casa?

— Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.

— O senhor estava indo à biblioteca?

— Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.

— Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!

— Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?

— Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.

— O que pretende com isso? Vai ficar rico vendendo palavras?

— O senhor conhece Nélida Piñon?

— Não.

— É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o País sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.

— E por que o senhor não vende livros?

— Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.

— E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem barriga.

— A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento. Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto. São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa ela nunca me enganou. Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga. Suponho que para cada pessoa que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.

— O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...

— Jactância.

— Pegar um livro velho...

— Alfarrábio.

— O senhor me interrompe!

— Profaço.

— Está me enrolando, não é?

— Tergiversando.

— Quanta lenga-lenga...

— Ambages.

— Ambages?

— Pode ser também evasivas.

— Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!

— Pusilânime.

— O senhor é engraçadinho, não?

— Finalmente chegamos: histriônico!

— Adeus.

— Ei! Vai embora sem pagar?

— Tome seus cinqüenta centavos.

— São três reais e cinqüenta.

— Como é?

— Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só histriônico estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.

— Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?

— É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?

— Tem troco para cinco?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Uma nova poesia


 
No mundo marcado pela desesperança, angústia, falta de amor; onde para muitos a vida é apenas uma sucessão de dias sem sentido e sem graça, porque só conseguem visualizar o caos e a desgraça. Em um ambiente assim é preciso dar ênfase à Palavra de Deus, que nos fala de forma poética sobre seus caminhos. O salmista no capítulo 25:4 diz: “faze-me saber os teus caminhos, Senhor; ensina-me as tuas veredas”. A Bíblia, de gênesis a apocalipse, está recheada de poesia. Percebemos claramente que a linguagem escolhida por Deus para falar a seu povo, é a linguagem poética. Os salmos é o livro que mostra o relacionamento de Deus com seu povo e a vida sendo cantada e recitada por belos versos.

Os textos sagrados regam e iluminam os corações secos e em trevas, mostrando que para a escuridão da vida há uma luz que brilha e para a sequidão do ser há uma água viva: Jesus Cristo.

O mestre Jesus nos ensinou a olhar para a vida de forma diferente. Não mais o desespero de uma vida vazia e sem sentido, mas sim, um novo viver pautado na beleza do grande amor de Deus. Nesse período de enchentes e terrorismos, de irresponsabilidade governamental e cidadania passiva, de corações e vidas embrutecidas, precisamos com urgência de poesia.  E assim como Cristo, o Poeta da Vida, saibamos olhar para os lírios do campo e as aves dos céus, glorificando a Deus pela beleza da sua criação. Da mesma forma que ao vivenciarmos o evangelho, façamos da nossa vida uma linda poesia escrita pelo próprio Deus.

“Nos lábios dos horizontes há um riso de luz... é Deus” Castro Alves

Fábio Porto 

sábado, 24 de outubro de 2015


O Reino de Deus chegou!!!


Há aproximadamente dois mil anos Deus iniciou, aqui na terra, a implantação do seu Reino através de Jesus Cristo. Jesus disse que o Reino havia chegado e que os discípulos deveriam anunciar ao mundo essa boa nova, esse Evangelho.

É bom lembrar que esse tema foi mal compreendido pelos discípulos da época do Mestre e, infelizmente, ainda hoje muitos confundem o seu real sentido. Os discípulos ao ouvirem Jesus falar a palavra Reino (basiléia) pensavam na estrutura política vigente, ou seja, visualizavam o Império Romano. Os ouvintes de Jesus conheciam reinos e viviam neles, por exemplo: o reino de Herodes e o reino de Roma. Portanto, sonhavam em reinar da mesma forma que César e os imperadores. Jesus, porém decepcionou aqueles que pensavam em dominar o mundo. Não entenderam quando Jesus dizia que o seu Reino não era desse mundo, pois a sua base estava fundamentada no amor.

É imperativo aos cristãos o anuncio do Reino de Deus a esse mundo tão marcado pelo reino do egoísmo, da corrupção, da insensibilidade, da mentira, da falta de esperança, enfim, o reino da negação do amor. É nesse mundo que a Palavra de Deus deve ser pregada, caso contrário, estaremos contribuindo para a manutenção desse caos estabelecido pelo pecado.

Se o Reino de Deus está no nosso meio através do Espírito Santo não poderemos deixar de viver esse Reino em nossos relacionamentos. Não poderemos, se o Reino de Deus estiver em nosso meio, colocar no inferno um pastor que tem uma leitura teológica a respeito das questões escatológicas diferente dos teólogos neo-ortodoxos que acham que podem defender Deus (como se Deus precisasse de defesa) condenando os outros que pensam diferentemente.

Se o Reino de Deus está no nosso meio temos que pregar contra as mazelas que assolam a humanidade. Temos que saber nessa caminhada de discípulos de Cristo diferenciar o pecado, do pecador. Precisamos aprender a ser anunciadores do Evangelho do amor e não juízes do mundo em decadência.

Porque o Reino de Deus está no nosso meio, os “defensores” da tradição deveriam levantar suas vozes contra os políticos corruptos, os pregadores mercenários vendedores de ilusão, os promotores da violência e das drogas, o sistema capitalista que gera a pobreza de milhares de pessoas e de tudo aquilo que acaba com a dignidade humana. No entanto, apenas os discípulos assumem esse estilo de vida e vão até o fim amando as pessoas como Jesus amou.

O Reino de Deus é justiça, paz, esperança e amor. Temos em Cristo a inspiração para uma vida diferente, moldada pelas virtudes do Reino. Disse Jesus: “o Reino de Deus está no meio de vós”. (Mateus 12)
 
Fábio Porto
 

sexta-feira, 18 de setembro de 2015


Lendo “Renovando todas as coisas” de Nouwen fui desafiado a repensar minha concepção de comunidade que nos convida à vida espiritual. A importância dessa releitura vai ao sentido de que é na vivência de uma comunidade que nos transformamos em pessoas. Ser gente feita à imagem e semelhança de Jesus de Nazaré.  

Comunidade tem muito pouco a ver com compatibilidade. Semelhanças de formação educacional, estrutura psicológica ou status social podem nos aproximar uns dos outros, mas nunca poderão ser a base de uma comunidade. A comunidade baseia-se em Deus, que nos convida a nos reunirmos e não na atração das pessoas entre si.

“Existem muitos grupos que se formaram para proteger seus próprios interesses, para defender seu próprio status ou promover suas próprias causas, mas nenhum deles é uma comunidade cristã.”

Em vez de derrubarem muros do medo e criarem um novo espaço para Deus, eles se fecham aos intrusos, sejam eles reais ou imaginários. O ministério da comunidade está precisamente em que ela abraça todas as pessoas, sejam quais forem as suas diferenças individuais, e permite que elas vivam juntas como irmãos e irmãs de Cristo e filhos e filhas do seu Pai celestial.

Que o Pai nos ajude a entender o verdadeiro sentido de comunidade existente na Trindade.

Fábio Porto

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Ano novo, questões eternas

Observando alguns textos bíblicos percebemos Deus formulando questões e não respondendo-as. Jean Yves Leloup afirma que “Deus é a questão para as nossas respostas e não respostas para as nossas questões”. Deus nos pergunta: “Onde estás?”
Diante desse mundo cada vez mais pragmático e cibernético, a falta de respostas concretas e prontas deixam cada vez mais corações angustiados e sem rumo.
Para o ano novo o que se busca é a felicidade e suas variáveis. No entanto, acabamos por nos esquecer de que a felicidade é consequência e não objetivo. Gosto do caminho apontado por Leloup, pois nos coloca no plano real, onde a vida deve ser vivida, e não nesse plano da inconsciência cada dia mais crescente entre os que não querem encarar as questões eternas que acompanham a humanidade:
Felicidade é reencontrarmos em nós a capacidade para amar, porque tudo o que fazemos sem amor é tempo perdido, é feito em má hora, é uma infelicidade... Enquanto tudo o que fazemos com amor é a eternidade reencontrada, a boa hora reencontrada.
Assim sendo, acredito que para questões eternas, saber qual o nosso lugar (existencial), necessitamos de aprender e apreender a “boa hora” para as nossas ações e repouso. De outro modo, seremos infelizes buscando a felicidade, pois identificaremos a felicidade com os objetos do nosso desejo que acreditamos ser a própria felicidade.
Cristo nos orienta a buscarmos o Reino em primeiro lugar e o resto nos será dado por acréscimo. Em outras palavras, a felicidade é justamente o que nos é dado por acréscimo. É viver o ser Supremo. É reencontrar o Ser e então a própria felicidade estará presente.
Um ano novo chegará quando descobrirmos a felicidade de uma consciência que transforma tudo o que lhe acontece em ocasião de crescimento, em momento de evolução. “Onde estás?”
Feliz ano novo!!!
Fábio Porto



NATALIZAR


São misteriosas as forças que concorrem para afirmar a frágil vida humana em meio a tudo que afeta o planeta e a sobrevivência dos seus habitantes. 

Superando debilidades internas e barreiras externas a vida segue seu curso e amplia sua complexidade. Para além da sobrevivência, convida a elaborar sentidos pessoais, fugir de generalizações e a aventurar em originalidade e esperança. 

Há quem queira se realizar reproduzindo padrões conhecidos e evitando riscos, e que prefira criar, sonhar e projetar-se no futuro. Quem abdica dos sonhos ou se fecha aos desafios do futuro, perde parte de sua humanidade e empurra a vida pelo beco da desesperança. 

Viver remete à abertura para múltiplas possibilidades, embora inclua realmente o risco de tropeçar em frustrações. Prossegue quem em algum lugar de si aspira a posse plena do resultado da extraordinária mistura de barro com o fôlego da vida.

Natalizar a vida é afirmar corajosamente o desejo de apropriar-se, em esperança, de tudo que há para ser, e que ainda não se manifestou em plenitude, mas impulsiona a avançar rumo à plena expressão da humanidade.

O Natal foi o mais discreto e marcante sinal da graça divina. É uma celebração que se repete, porque a vida é assim: precisa ser constantemente renovada. 

Natalizar é um convite a acolher o que há gracioso em nós e, em solidariedade, apoiar a realização das feições criativas do humano que ainda não se encarnaram na vida de outros. 

O Natal lembra o que há de singelo e misterioso em meio à trama da vida, mesmo quando se apresenta sob formas inesperadas, como a de uma frágil criança cercada de animais.

Amauri Munguba Cardoso
Natal de 2014

terça-feira, 9 de setembro de 2014

de Tragédias e Colcha de retalhos

 
 
Nossa vida é composta de momentos. Na falta de adjetivos chamaremos esses fragmentos de retalhos bons e ruins.
 
Minha saudosa bisavó Dona Raimunda, carinhosamente chamada de “mãe véia”, tinha uma prática de colocar com maestria uma linha pelo buraco da agulha e em seguida, com a paciência de um artesão, construir uma colcha de retalhos. Recordo-me das noites em que fui aquecido pela obra de arte de suas mãos.
 
Ela com uma sacola cheia de retalhos separava cuidadosamente os pedaços de pano, de várias cores, tipos de tecidos e tamanhos disformes, para que no final tivéssemos o resultado do que na sua mente já existia.
 
Ao observar uma colcha de retalho penso na vida. Bom seria se aprendêssemos a tecer os retalhos com a paciência e sabedoria que a própria vida nos pede. Fragmentos de retalhos são os acontecimentos que nos acompanham desde o nosso nascimento. Por isso precisamos de sensibilidade para perceber os contrastes que serão bonitos apenas ao final, pois estarão ao lado de outros retalhos da vida compondo a beleza da existência.
 
É preciso, nessa correria da vida pós-moderna, termos momentos para tecer os retalhos que ficaram guardados em nossa memória e corpo. São muitos os retalhos: alegria, tristeza, desespero, esperança, abandono, acolhida, rancores, desamor e amor...
 
Muitas pessoas infelizes por não saberem tecer os retalhos da vida. Não estão sabendo costurar o que o próprio tecido sugere. Ignoram a realidade e preferem as colchas apenas de uma cor, algumas delas apresentadas pelos mágicos inconsequentes, muitos deles na religião, que apenas visam lucros monetários e poder. Porém, a vida é multicores, colcha de retalhos.
 
Último sábado, 6 de setembro 2014, a contingência da vida nos apresentou mais alguns retalhos. Na BR 101 quatro vidas da mesma família foram ceifadas por causa da violência do trânsito em nosso Brasil. A morte de Deval, Sandra, Maicon e Thaís nos marcou de muitas maneiras. Por isso, ao invés de buscar respostas definitivas, sugiro que sejam construídas colchas que nos ajudarão a viver de maneira abundante a vida.
 
Muitos são os retalhos que deverão ser costurados ao lado daqueles que nos lembram de corpos dilacerados e carbonizados. Os retalhos ruins não serão esquecidos, mas apenas colocados ao lado dos bons ganhando um novo aspecto.
 
Ao lado da tristeza e da ausência, coloquemos os momentos que passamos ao lado deles em oração, nos pequenos grupos, nos festejos, nos encontros, nos abraços e apertos de mãos. A última vez que encontrei com Sandra oramos, choramos e rimos por conta do nascimento de Matheus e do casamento entre Eva e eu tão celebrado por ela. Costurarei a saudade ao lado dos outros retalhos, pois a “saudade é a presença da ausência”, eles sempre estarão vivos dentro de nós de alguma maneira.
 
Portanto, diante da tragédia e do sofrimento o que não podemos perder é a esperança. Retalhos sofridos ou felizes, o nosso destino deve ser um só: a VIDA, uma colcha bem trabalhada pelas mãos do nosso criador. Nunca é tarde para costurar e deixar ser costurados os retalhos de nossa história. Tendo o amor como linha que ligará esses momentos/fragmentos/retalhos teremos uma vida bem vivida.
 
Desesperar ou recomeçar, as únicas possibilidades diante das tragédias. Por Cristo somos convocados a tecer, por causa da capacidade que temos de recomeçar, uma nova etapa da nossa colcha de retalhos.
 
Fábio Porto

quarta-feira, 4 de junho de 2014



O cristianismo se desloca para o exterior e o periférico, quando Deus habita no profundo. Busca-se um cristianismo rebaixado e cômodo. Como dizia Marcel More: “os cristãos encontraram a maneira de sentar-se, não sabemos como, de forma confortável na cruz. Esquece-se que o cristianismo não é uma doutrina, mas uma vida, uma encarnação”.
 
E quando na igreja já não brilha mais a vida de Jesus, dificilmente se constata alguma diferença com o mundo.
 
Que o Pai nos ajude e tenha misericórdia da igreja hodierna.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Supremo absolve Collor de peculato, corrupção e falsidade ideológica. Isso depois de 20 anos.

Olha o que disse um dos nossos ministros:

"Punir alguém em 2014 por fatos ocorridos em 1991, na minha visão, seria quase como punir outra pess...
oa, passado tanto tempo". Luís Roberto Barroso

E o brasileiro ainda tendo esperança no STF por causa de Joaquim Barbosa que nesse caso votou a favor da absolvição desse "homem de conduta ilibada" Fernando Collor. Para com isso Superior Tribunal de Justiça.

Nos mais de 100 anos de existência desse tribunal não tivemos dois políticos condenados. Essa é a mensagem da nossa corte suprema: SE NÃO QUISER SER CONDENADO POR CORRUPÇÃO SEJA POLÍTICO.

Esse é o Brasil: um país de todos. Ou será tolos?

Enquanto isso sigo aguardando o cumprimento da oração do profeta:

"Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene!"

Amós 5:24
 
 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Vontade de Deus e vontade humana: a saga de um braço

 
Semana passada vivemos momentos complicados em relação ao braço de Thiago. Além das dores e estresses por conta da queda, marcações e remarcações cirúrgicas moldaram o que chamamos de atendimento médico em Jequié e Ipiaú. Ortopedista em Ipiaú só na terça-feira à tarde (por isso só tenha alguma fratura nesse dia da semana).

Em Jequié o dr. Claudio (um dos mais famosos da cidade) no sábado marcou a cirurgia para terça e quando nos preparamos para a intervenção o médico nos informou que o anestesista tinha saído de férias. Então foi marcado para a quinta-feira e novamente nos preparamos e ao chegar o final da tarde depois de um longo jejum fomos informados que no Hospital Geral tinha acabado o material cirúrgico e por isso não seria possível fazer a cirurgia. Detalhe que no sábado não tinha gesso no hospital e por isso compramos para que o braço fosse imobilizado até o dia da intervenção.

Na sexta-feira fomos à clinica orientado pelo dr. Claudio para saber se faria a cirurgia na sexta  em outra hospital. O curioso é que ele não mais nos atendia e apenas mandava recados pela secretária. Estávamos preocupados com a demora, pois a calcificação já estava acontecendo porque uma semana havia se passado. O médico nos disse que até uns doze dias não teríamos problemas porque Thiago era uma criança. Não sou médico, mas fiquei chocado quando ele mandou a secretária nos dizer que só poderia fazer a cirurgia no dia 29 de janeiro (treze dias a mais do prazo que ele tinha dado) e que poderíamos ficar a vontade para procurar outro profissional se não quiséssemos esperar.

Fiquei pensando se com plano de saúde é assim imagine pra quem não tem. O governo do estado que deveria cuidar da saúde pública cria um plano de saúde para seus funcionários mostrando o seu interesse pela causa. Outro médico famoso da cidade nos informou, também através de sua secretária, que estava cheio de cirurgias e que não poderia fazer a de Thiago (“ainda mais que era PLANSERV” - lapso da secretária).

Seguimos para a capital e ao chegar à clinica COT fomos repreendidos pelos médicos por demorarmos nove dias para levar Thiago. Ele poderá ficar com uma limitação no braço por conta dos calos criados por causa da demora. A culpa ainda foi nossa!

Em salvador Thiago deu entrada no hospital às 9hs. Pasmem, 10:30hs estava tudo resolvido. Interessante! Por isso temos que ouvir que “o melhor médico de Jequié é a Camurujipe”.

Em Jequié e Ipiaú quando as pessoas ficam defeituosas ou morrem pela precariedade do atendimento o que ouvimos é que foi a vontade de Deus. Misericórdia! Deus não tem nada com isso.

Pode não mudar nada do que acabei de relatar, mas eu mudei. Não só reclamar, mas cobrar. Até porque outras crianças, infeliz e inevitavelmente, sofrerão traumas e não podem ficar limitadas fisicamente por conta de gente que não cumpre seu papel social.

Fábio Porto

domingo, 12 de janeiro de 2014



Nós não temos nenhum poder sobre uma pessoa que é autêntica, sobre alguém que é honesto em si mesmo. Você pode lhe dizer tudo o que quiser e não o fará tremer. Mas alguém que mente a si mesmo, mesmo se ele tem grandes ideias, grandes teorias, diante de certas situações ele se porá a tremer, porque ele não é um com ele mesmo. Porque está dividido em si mesmo. Jean-Yves Leloup

Minha intuição é que existem poucos inteiros (íntegros) e muitos divididos, principalmente os da religião... ou não? Ou será mera coincidência?

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Copa do mundo e o mundo real


Com o sorteio da copa o governo estadual gastou R$ 6,4 milhões. Entretanto, para ajudar a cidade de Lajedinho eles disponibilizaram R$ 100,00 mil, além de abrir uma conta para doações da população.

Vergonha! Depois os vândalos são os manifestantes que cobram seus direitos.

FIFA e governo estadual = corrupção legalizada

"E no lombo do pobre é só lenha"

Apenas um desabafo... Brasil um país de todos!

sábado, 2 de novembro de 2013

Pior do que não fazer... é fazer bem feito aquilo que Deus não pediu pra você fazer". Carlos Queiroz

Que Deus nos perdoe quando realizamos projetos bonitos e bem elaborados, mas que não dizem respeito ao Reino de Deus. Quando os meios não estão de acordo com o fim (estabelecer o amor - Reino de Deus/Jesus - entre os humanos).

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.
E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai.
Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu... vai e anuncia o reino de Deus.
Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.
E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus.

Lucas 9:57-62

Muitas pessoas são convidadas à acompanhar Jesus na viagem libertadora, na Missio Dei. O seguimento, portanto, exige total disponibilidade, e o difícil para quem quer ser discípulo não é escolher entre o bem e o mal, mas entre o bom e o melhor.

sábado, 14 de setembro de 2013

A nova geração de cristãos não procura mais a salvação da alma, mas um corpo sarado; não buscam a justificação, mas a aceitação; não acreditam na renúncia, mas na auto-realização; não se interessam em aprender a amar, mas em fazer sexo; não tem mais sede e fome de justiça, mas um desejo insaciável de consumir; não pecam, quando muito carregam traumas provocados por outros. A distinção entre o amor... responsável e o sexo irresponsável já não é mais tão óbvia.

Muitos cristãos hoje são crianças mimadas, insatisfeitas, entediadas, sem identidade histórica, nem fundamento teológico ou maturidade espiritual.

Obrigado Ricardo Barbosa pelo alerta...

O que será que aconteceu com a cruz de Cristo em nossos dias?

Saudades eterna

 
 
Dia 11 nos deixou a querida Itamar. Esposa do Rev. João Dias de Araújo. Ela é uma dessas pessoas que nos mostrou a face de Cristo enquanto andou por esse mundo. Como diz Hebreus 11.38: "ser humano que o mundo não era digno de receber". Obriga...do Jesus pela vida e testemunho dessa grande mulher.

Que o Pai conforte a família enlutada, principalmente seu companheiro de caminhada e existência João Dias.

Mais uma vez o 11 de setembro marca a história

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Que independência comemoramos ontem no Brasil? Como podemos ser independentes diante desse caos social brasileiro: corrupção, alienação religiosa e política, fome, violência, desigualdade social, drogas, apatia coletiva (houve uma melhora nos últimos meses graças a Deus), uma mídia vendida, etc., etc., etc...?

Enquanto há desfiles chamados de cívicos, as filas aumentam nos hospitais, nos guetos, nas bocas de fumo, nos cemitérios... me poupe Brasil independente!

Quiçá aquele grito não dito (contado pelas fábulas da maioria dos livros de história do Brasil) seja ouvido não só do Ipiranga, mas de todos os cantos e recantos do nosso querido Brasil que precisa de uma verdadeira independência.
Hoje é o dia do aniversário de um irmão que não foi gerado no mesmo útero que eu, mas nasceu de um útero tão especial quanto o das mães: o lugar onde são gestadas as amizades.

Parabéns meu irmão amigo... Que o Pai continue te abençoando!!!

Muitos anos de vida com paz, esperança e muito amor!!!
 
 

terça-feira, 21 de maio de 2013

Morte e amor

Como uma pessoa da religião, tenho observado que o discurso religioso, quando mal aplicado, pode ser tão funesto quanto o discurso dos homicidas.

Que Deus nos perdoe quando matamos (de muitas maneiras) nosso semelhante em nome da religião.

O desdobramento desse perdão só poderá ser uma vida de e em AMOR!
 
Fábio Porto

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Minha oração: fortalece a contramão


 
Senhor diante do caos religioso e dos escombros que sufocam a esperança; diante de um evangelho desencarnado que despreza tua criação; diante do olhar de uma criança que vê sua infância sendo roubada e ela sem forças para deter esse assalto; diante de homens e mulheres dilacerados pela não-vida e sem o conforto do verdadeiro evangelho; diante do grito daqueles que não são ouvidos, pois quem deveria ouvir está ocupado demais aprendendo com o sistema anti-amor a não ouvir; diante da insensibilidade pela fome, violência, discriminação, corrupção, morte; a Ti clamo Deus de amor. Meu clamor é para que tu fortaleças aqueles que estão lúcidos diante desse caos; que não se venderam e mantém a dignidade cristã; que acreditam que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus e não a palavra do mercado econômico-financeiro; que tecem com paciência e esperança o tapete do amor para acolher os feridos dessa indústria da morte; que Tu renoves o ânimo dos que trilham os mesmos caminhos daqueles que no passado entenderam que mais importante é a busca pelo estabelecimento do Reino de Deus entre os homens e mulheres; louvo a Ti ó Deus da graça, pois um movimento do teu Espírito está acontecendo, mesmo que pontual, em uma nova geração que não acredita nesse evangeliquez e nem em ideólogos, que já perderam a fé, mas que se dizem pregadores da palavra, mas só sabem pregar para seu ventre; louvo a Ti ó Deus do perdão, pois em muitos corações a fagulha da esperança acederá no tempo certo à fogueira que aquecerá a vida de pessoas que ainda não descobriram a vida abundante proposta por pelo Teu filho Jesus; obrigado Senhor por aqueles que ao longo do tempo tem vivido e ensinado pela vida que um outro mundo é possível; Senhor precisamos de memória, precisamos de raiz, precisamos de uma nova que é a antiga vida cristã; precisamos Senhor retornar ao passado; não é viver do passado, mas o passado viver dentro de nós. Fortalece a contramão Senhor em nome de Jesus Cristo, amém!