
Vivemos
um mundo marcado pelo consumo desenfreado e muitas vezes inconsequente. A busca
pelo Ter não se mostra nem um pouco preocupada com os resultados funestos que
possam ocorrer. O Ser caiu de moda. O Ter em detrimento do Ser é o caminho.
Quando essa é uma ação praticada no mercado financeiro há de se perceber que
isso faz parte do cerne desse seguimento. No entanto, quando essa maneira de
agir caracteriza quem se diz seguir a Jesus fica inconcebível tal semelhança.
Parece
que os evangélicos estão perdendo o rumo quando não questionam essa realidade onde
tudo está voltado para o dinheiro. Deus está sendo confundido com bens
materiais. Precisamos ter em mente versículos como “de graça recebestes, de graça dai.” (Mateus
10:8b). Pois ao
entrarmos em contato com pessoas que querem dá seu testemunho ou pregar, quase
todas, quase todas mesmo, cobram para falar daquilo que Jesus fez em suas vidas.
Entretanto, ao invés de cobrança pelo serviço prestado ao público, elas dizem
apenas ser uma oferta de amor recebida para a manuntenção do seu
ministério. “Pregadores e pregadoras”
que mais se parecem com artistas do que com pregadores da Palavra de Deus. Não
dá pra entender como um pregador que diz falar em nome de Jesus cobre por uma
mensagem até 15 mil reais. O pior é que têm Igrejas e eventos que pagam. Só pra
lembrar: o salário mínimo é de R$ 622 e a maior parte dos brasileiros vivem com
ele, incluíndo muitos evangélicos dessas igrejas que mantem esse sistema que
nada tem de parecido com o Reino de Jesus.
E o que dizer da área musical na igreja. Passamos de
adoradores para artistas ávidos pelo sucesso. Está sendo usada as mesmas
categorias do mercado, tanto por quem contrata, como por quem é contratado.
Exigências como hotéis 5 estrelas e carros de luxo para o transporte até o
local do show, que muitas vezes é um templo, está sendo tão normal que caso nao
seja cumprida as exigências, às pessoas que dizem ser canal de bênção para o
povo de Deus, não vão e ponto final. Isso porque outro pastor e/ou líder contratante
estará realizando essas patologias megalomaníacas. Também não dá pra entender
como existem igrejas que pagam até 7 mil reais para um cantor participar de um
culto e cantar no máximo 30 minutos ou algumas músicas. Em um culto ele ganha o
que a maioria dos pastores e pastoras não ganham em três meses de trabalho. Sem
falar no sustento dos missionários e missionárias que estão no campo, muitos
até passando necessidades.
Em Mateus 6.21 Jesus disse que “onde estiver o seu
tesouro, aí estará o seu coração”. O coração simboliza a realidade interior em
que a vida encontra sua verdadeira
expressão. A busca pelo reconhecimento e afirmação de muitos cantores e
pregadores faz com eles se tornem cada vez mais dependentes das compensações e,
consequentemente, mais alienados. Perderam a capacidade de se ver. Perderam o
contato com a realidade. Vivem a partir de uma grande fantasia criada por eles
mesmos. A fronteira entre a realidade e a ilusão é bem estreita.
O louvor e a pregação tem se tornando cada vez mais
funcional e menos pessoal. Diz mais respeito ao fazer do que ao ser.
Precenciamos a perda da sabedoria e da santidade na sociedade (Igreja) que
busca cada vez mais técnicos e especialistas. Quer trazer uma pregação ou um louvor
abençoado para a sua igreja, traga, se puder pagar é claro, o que está no topo
da fama ou aquele que está com sua agenda lotada. A Igreja não valoriza mais o
sábio, mas o expert ou o técnico. Em outras palavras, aquela pessoa que é, na
linguagem evangélica, “uma das maiores autoridades” em determidada área.
Muitas
igrejas vêm se transformando em centro de entretenimento religioso. Perdemos a
noção do que significa ser cristão.
Vamos
parar por aqui, embora esse assunto continue se atualizando no nosso cotidiano,
lembrando a parte da música citada no início dessa reflexão que encorajou
muitos corações vocacionados no passado e que nos dias atuais parece ter
perdido não só seu sentido, como sofreu alguns acréscimos: “Sobre terra ou mar,
onde Deus mandar (claro que mediante pagamento, ou melhor, oferta de amor)
irei”.
Com
base na Palavra de Deus aprendamos a ser os “verdadeiros adoradores que adoram
ao Pai em espírito e em verdade”.
Fábio
Porto